
domingo, 29 de abril de 2007
Cansada :/

quarta-feira, 25 de abril de 2007
Num bairro moderno - Cesário Verde

Confesso que fiquei triste. Sei que a grande maioria das pessoas não gosta da sua poesia, acham-na chata, sem lógica, sem nenhum sentido. Na minha turma quase ninguém gostava. Mas eu gosto muito. Acho super interessante a maneira como o poeta descreve as coisas de forma tão minuciosa, tão realista, captando tudo aquilo que está em seu redor, de forma bastante objectiva e envolvendo a sua subjectividade e fugas imaginativas. Na sua poesia, a descrição dos edifícios, das ruas, do povo trabalhador, da mulher do campo em contraste com a mulher citadina, entre outros tantos aspectos, são uma constante.
Agora vou transcrever um lindo poema que eu gosto muito, que fala sobre a vitalidade e o colorido saudável dos produtos do campo e de uma rapariga "rota, pequenina e azafamada" do qual o sujeito poético admira pelo seu trabalho árduo.
Espero que gostem...
Num bairro moderno
A Manuel Ribeiro
Dez horas da manhã; os transparentes
Matizam uma casa apalçada;
Pelos jardins estancam-se os nascentes,
E fere a vista, com brancuras quentes,
A larga rua macadmizada.
Rez de chausée repousam sossegados,
Abriram-se, nalguns, as persianas,
E dum ou doutro, em quartos estucados,
Ou entre a rama dos papéis pintados,
Reluzem, num almoço, as porcelanas.
Como é saudável ter o seu conchego,
E a sua vida fácil! Eu descia,
Sem muita pressa, para o meu emprego,
Aonde agora quase sempre chego
Com as tonturas duma apoplexia.
E rota, pequenina, azafamada,
Notei de costas uma rapariga,
Que no xadrez marmóreo duma escada,
Como um retalho de horta aglomerada,
Pousara, ajoelhando, a sua giga.
E eu, apesar do sol, examinei-a:
Pôs-se de pé; ressoam-lhe os tamancos;
E abre-se-lhe o algodão azul da meia,
Se ela se curva, esgadelhada, feia,
E pendurando os seus bracinhos brancos.
Do patamar responde-lhe um criado:
"Se te convém, despacha; não converses.
Eu não dou mais". E muito descansado,
Atira um cobre ignóbil, oxidado,
Que vem bater nas faces duns alperces.
Subitamente,- que visãao de artista!-
Se eu transformasse os simples vegetais,
À luz do sol, o intenso colorista,
Num ser humano que se mova e exista
Cheio de belas proporções carnais?!
Bóiam aromas, fumos de cozinha;
Com o cabaz às costas, e vergando,
Sobem padeiros, claros de farinha;
E às portas, uma e outra campainha
Toca, frenética, de vez em quando.
E eu recompunha , por anatomia,
Um novo corpo orgânico, aos bocados.
Achava os tons e as formas.
Descobria Uma cabeça numa melancia,
E nuns repolhos seios injectados.
As azeitonas, que nos dão o azeite,
Negras e unidas, entre verdes folhos,
São tranças dum cabelo que se ajeite;
E os nabos - ossos nus, da cor do leite,
E os cachos de uvas - os rosários de olhos.
Há colos, ombros, bocas , um semblante
Nas posições de certos frutos.
E entre As hortaliças, túmido, fragrante,
Como dalguém que tudo aquilo jante,
Surge um melão, que me lembrou um ventre.
E, como um feto, enfim, que se dilate,
Vi nos legumes carnes tentadoras,
Sangue na ginja vivida, escarlate,
Bons corações, pulsando no tomate
E dedos hirtos, rubros nas cenouras.
O sol dourava o céu. E a regateira,
Como vendera a sua fresca alface
E dera o ramo de hortelã que cheira,
Voltando-se, gritou-me prazenteira:
"Não passa mais ninguém!... Se me ajudasse?!"...
Eu acerquei-me dela sem desprezo;
E, pelas duas asas a quebrar,
Nós levantámos todo aquele peso
Que ao chão de pedra resistia preso,
Com um enorme esforço muscular.
"Muito obrigada! Deus lhe dê saúde!"
E recebi, naquela despedida,
As forças, a alegria, a plenitude,
Que brotam dum excesso de virtude
Ou duma digestão desconhecida.
E enquanto sigo para o lado oposto,
E ao longe rodam umas carruagens,
A pobre afasta-se, ao calor de Agosto,
Descolorida nas maçãs do rosto,
E sem quadris na saia de ramagens.
Um pequerrucho rega a trepadeira
Duma janela azul; e como o ralo
Do regador, parece que joeira
Ou que borrifa estrelas; e a poeira
Que eleva nuvens alvas a incensá-lo.
Chegam do gigo emanações sadias,
Oiço um canário - que infantil chilrada! -
Lidam menages entre as gelosias,
E o sol estende, pelas frontarias,
Seus raios de laranja destilada.
E pitoresca e audaz, na sua chita,
O peito erguido, os pulsos nas ilhargas,
Duma desgraça alegre que me incita,
Ela apregoa, magra, enfezadita,
As suas couves repolhudas, largas.
E, como as grossas pernas dum gigante,
Sem tronco, mas atléticas, inteiras,
Carregam sobre a pobre caminhante,
Sobre a verdura rústica, abundante,
Duas frugais abóboras carneiras.
Este é um poema nitidamente realista. Deambulando pela cidade de Lisboa, o sujeito poético descreve de forma minuciosa e concreta, tudo o que está em seu redor.
Ao longo de todo o poema a regateira "rota, pequenina azafamada", que se depara com o sujeito poético, é vista como a transportadora de um mundo vital e campestre para a rua macadamizada da cidade. O sujeito poético valoriza o seu espírito de sacrifício e dinamismo, criticando o facto da sociedade permitir que esta rapariga viva num contexto de desigualdade, com um aspecto débil, franzida, carregando um excesso de peso que é inadequado ao seu corpo.
Ao longo do poema também podemos constatar a fuga imaginativa do poeta tendo em análise a transformação e associação que faz entre os frutos que estão no cabaz da regateira associados a um "novo corpo orgânico". Esta capacidade de transfigurar a realidade encontra-se nitidamente associada à corrente literária típica em Cesário Verde, o Surrealismo. Para além desta temos outras típicas da sua poesia, o Realismo, o Parnasianismo, o Impressionismo e o Simbolismo.
E vocês? Gostam da poesia do Cesário Verde?
Quem quiser acrescentar mais alguma sugestão, chegou o momento de o fazer :)
domingo, 22 de abril de 2007
O 25 de Abril

Assim vos deixo breves explicações, complementando com algumas imagens que retirei da internet.
Breve síntese sobre o 25 de Abril:
Alguns aspectos sobre a sua preparação:
No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares instalaram-se secretamente no posto de comando do movimento golpista, no quartel da Pontinha. Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, sendo um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que espoletava a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado. O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida da tão conhecida canção ”Grândola Vila Morena“, de Zeca Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada.

O povo a comemorar a vitória da liberdade!!
(25 Abril 74)

(26 Abril 74)
Mas afinal de contas, qual é a simbologia representada pelo cravo?

É o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Acontece que ao amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, apoiando os soldados revoltosos. Apesar das várias versões existentes, diz-se que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram. Assim, começou a distribuir cravos vermelhos pelos soldados que depressa os colocaram nos canos das espingardas.
O que é o MFA? O MFA ou “Movimento das Forças Armadas” foi um grupo responsável pelo golpe militar que terminou com o Estado Novo em Portugal, em 25 de Abril de 74, motivados pelo desejo da liberdade, até então negada ao povo português e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial.
Outros aspectos:
-->Especial 25 de Abril recordado: RTP 1 acompanha comemorações relativas à Revolução dos Cravos. Zeca Afonso terá gala de homenagem.

E se tivéssemos que voltar à ditadura???
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Alteração horários CP
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Futurália - FIL
Apesar de me sentir bastante cansada graças às minhas queridas botas que resolvi levar, foi um dia bastante agradável. No entanto estava a espera de encontrar por lá várias empresas para que eu pudesse conhecer as oportunidades de estágio ou emprego que pudessem estar a decorrer. Mas o grande forte deste envento consiste na divulgação de ofertas de ensino e qualificação em Portugal, o que já não me interessa muito.
Apesar de tudo isto, acabamos por nos divertir na busca das ofertas que cada entidade nos oferecia. Mas o melhor foi o suco exótico, super vitaminado (com delícias do mar, ananás, banana,e muitas outras coisas...) que nos ofereceram lá numa das barraquinhas, que era simplesmente maravilhoso.
Uma actividade que também achei muito engraçada foi a da realização de um marcador de livro, em que cada pessoa tinha que colar no marcador um conjunto de folhas de modo a construir uma árvore ou uma flor. Esta actividade da Camâra Municipal de Lisboa, estava a fazer furor!
E aqui vos deixo o meu marcador... simples mas bonitinho :)
Também existe lá um espaço lúdico muito engraçado que engloba diversas áreas de desporto e actividades de lazer. Com tudo isto acabei por ganhar uma aula grátis num ginásio :)
Não sei se já ouviram falar neste evento, mas se estiverem interessados em conhecer um pouco mais sobre as oportunidades que existem ao nível do ensino e formação no nosso país, poderão encontrar lá várias informações/sugestões. Claro que isto será mais útil a todos os que estão a pensar em estudar lololol!!
Está a decorrer até ao dia 21 de Abril.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Fátima
Sabem que imagem é esta??
Acho que não vos passa pela cabeça... Trata-se do santuário de Fátima há uns anitos atrás. Bem diferente daquilo que vemos hoje!!
Aqui vos deixo a história sobre a sua origem:
A chamada Cova da Iria nasceu num descampado onde em 1917 deram-se as aparições da Nossa Senhora de Fátima.
Este lugar foi-se desenvolvendo ao longo dos tempo, isto graças ao contínuo fluxo de pessoas cujas funções se foram multiplicando embora continuem em lugar de destaque as que se ligam ao fenómeno religioso, que começou quando os 3 pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta apascentavam um rebanho neste lugar. Sobre uma azinheira avistaram uma luz envolvendo a Nossa Senhora, que lhes pedia para que rezassem, convidando-os a voltar nos meses seguintes àquele lugar.
Para assinalar o local das Aparições construiu-se um arco de madeira com uma cruz. A pequena árvore a pouco e pouco foi desaparecendo levada por peregrinos. Em 6 de Agosto de 1918, com as esmolas dos fiéis iniciou-se a construção de uma pequena capela em homenagem à Nossa Senhora, feita de pedra e cal, coberta de telha com 3,30 metros de comprimento , 2,80 metros de largura e 2,85 metros de altura. Foi a primeira construção do actual recinto de oração.
Actualmente, o Santuário de Fátima acolhe em peregrinação e oração muitos milhares de crentes vindos de todo o mundo, sobretudo na Peregrinação anual de 13 de Maio e nos restantes dias 13 de cada mês, de Maio a Outubro.
Este é um local que gosto muito de visitar, porque faz-me sentir bem comigo própria. Faz-me sentir serena, calma, e um pouco menos pecadora ihihihih!! Sim, é verdade :P
Esperança :)
A minha irmã criou um blog. Tanto a chatiei a dizer que isto é bom, giro, saudável, sei lá! Que tornava as pessoas mais cultas, enfim, só elogiava esta arte de ser "bloguista".
Ela começou a ver o meu e de facto, gostou mesmo!
E assim nasceu a Esperança...
http://esperancaa.blogspot.com/
sábado, 14 de abril de 2007
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Há dias assim...

Um lindo miradouro a visitar!

O miradouro da Sra. do Monte, é daqueles que gosto mais. Costumo vir aqui algumas vezes, mais propriamente no verão, quando o tempo está mais agradável.
Aconselho vivamente a visitarem este miradouro, porque na minha opinião, é um lugar magnifíco, com uma vista espectacular para a cidade de Lisboa. Podemos facilmente observar o centro da cidade, mais propriamente a baixa e toda a parte da freguesia da Mouraria, o Castelo de S. Jorge, o Tejo, a ponte 25 de Abril, o Cristo-rei, e melhor ainda, a beleza do nascer ou pôr do sol numa vista simplesmente única e magnífica.

Situado numa das sete colinas de Lisboa, perto da Graça, o Miradouro da Senhora do Monte é um dos menos frequentados pelos Lisboetas e Turistas, constituindo no entanto um espaço único, quer pela localização privilegiada, quer pelo espaço onde se insere, aliando equilibradamente três elementos fundamentais para o lazer e o turismo: espaço verde, vista panorâmica e património cultural. Trata-se de um pequeno espaço, cimeiro e panorâmico, em forma de meia-laranja, delimitado pelo Largo do Monte.
Junto, temos a Nossa Senhora do Monte, que se encontra direccionada para a cidade, assim bem como, para o Cristo-rei. Simplesmente linda!


Acessibilidade:
De uma forma geral, quer de automóvel quer por transportes públicos, o acesso ideal consiste na "Rua da Graça", a Este do Miradouro, quer vindos de Sapadores, quer vindos de Alfama.
No entanto, caso não seja viável a utilização de transportes públicos (eléctrico nrº 28), o ideal será estacionar na Graça e fazer a pé a Travessa do Monte para a Calçada do Monte.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Polícias - anedota ;)
Eu desliguei.
Um minuto depois liguei de novo:
"Olá" - disse eu - "Liguei a bocado porque estavam pessoas no meu barracão. Já não é preciso virem depressa, porque eu matei-os."
Passados alguns minutos, estavam meia dúzia de carros da polícia na área, uma ambulância e uma unidade do INEM. Eles apanharam os ladrões em flagrante!
Um dos polícias disse: "Pensei que tivesse dito que os tinha morto."
Ao que eu respondi: "Pensei que me tivesse dito que não havia ninguém disponível."
Le Pen defende masturbação invés do preservativo

Durante um fórum organizado pela revista Elle:
"Quando eles me perguntaram se eu concordava com a distribuição de camisinhas a jovens crianças do ensino médio, eu disse, escutem... eles podem sempre usar o método ´manu militari", "É muito menos perigoso que usar camisinhas." (Le Pen)
Nunca tinha ouvido uma coisa destas ... como é que pode haver pessoas que pensem desta maneira? Sabem explicar-me??
domingo, 8 de abril de 2007
Final das Férias

sexta-feira, 6 de abril de 2007
Boa Páscoa!

Que este dia seja repleto de surpresas boas e que o passemos com muita alegria, paz, amor e saúde, junto daqueles que mais amamos.
Mas para além disso, que este dia se repita sempre em todos os dias da nossa vida.
Páscoa - A sua Origem
A Páscoa é uma data comemorativa de grande importância para as culturas ocidentais. A origem mais remota do termo Páscoa vem dos hebreus, Pesach, que significa passagem. Entre as civilizações antigas, a Páscoa era uma festa de passagem para celebrar o fim do inverno e o início da primavera, pois o fim do rigoroso inverno que castigava a Europa representava maiores chances de sobrevivência com a produção de alimentos. A festa era geralmente realizada na primeira lua cheia da época das flores, no mês de Março.
Páscoa para os Cristãos
Para os cristãos a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, quando, após a sua morte, a sua alma voltou a unir-se ao seu corpo. A festa é realizada no primeiro Domingo depois da lua cheia que ocorre no dia, ou depois de 21 de Março (data do equinócio), por isso a Páscoa ocorre todo ano em datas diferentes.
Simbologia do Coelho
A figura do coelho está simbolicamente relacionada à Páscoa, pois o animal representa a fertilidade, já que a cada ninhada nascem muitos coelhos. No significado cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova, a renovação, reprodução e fertilidade. Por isso, nada melhor do que um animal que se reproduz rapidamente e em grandes quantidades para se tornar o símbolo da festa.
A tradição do coelho foi trazida às Américas pelos imigrantes alemães entre o final do século XVII e início do XVIII. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
BOA PÁSCOA A TODOS :)
Pekena
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Gato Fedorento - Marcelo e o Aborto
Gosto muito deste vídeo ... apesar da situação do aborto já ter passado, vejam isto a sério!
Eu e meu grupo decidimos aplicá-lo durante a apresentação oral do nosso trabalho sobre competências da comunicação. Fez furor :P
terça-feira, 3 de abril de 2007
Enfim...
O Luís Filipe Vieira falou ao país (na televisão) que de facto a culpa dos distúrbios no jogo de Domingo, foi da PSP e não do clube!
Parece que a subcomissária andou a mentir aos jornais dizendo que a polícia limitava-se a actuar sobre as ordens dadas pelo clube e a garantir a segurança de todos :/
Tabaco!

Hoje estava a ver o telejornal e parece que anda aí uma proposta de lei, que se refere à proibição do tabaco em locais públicos. Ao que parece, qualquer indíviduo que se encontre a fumar em locais onde a lei definir a sua proibição, ser-lhe-á atribuído uma coima!!
A fiscalização da lei estará sob controle da ASAE.
Passo a citar os "locais proibidos"
- Nos locais de trabalho
- Nos restaurantes ou bares e locais com salas ou espaços destinados à dança
- Em estabelecimentos de saúde ou qualquer serviço ou organismo da administração pública
- Nos estabelecimentos de ensino, incluindo átrios, corredores e espaços de recreio
- Em lares de idosos
- Em creches, centros de tempos livres, colónias e campos de férias
- Em centros comerciais
- Nos recintos das redes de levantamento automático de dinheiro
- É proibida a venda de tabaco através de máquinas automáticas, sempre que estas não tenham sistema bloqueador que impeça o seu acesso a menores de 18 anos ou que não estejam localizadas no interior do estabelecimento comercial de forma a serem visualizadas pelo responsável do estabelecimento
Excepções:
- Podem ser criadas áreas destinadas a pacientes fumadores em hospitais psiquiátricos, serviços de tratamento e reabilitação de toxicodependentes e alcoólicos
- Nas prisões podem existir celas ou camaratas para reclusos fumadores
- Em restaurantes, bares e discotecas com mais de 100 m2 podem ser criadas áreas para fumadores, até um máximo de 30 por cento da área total
- Devem ser criadas consultas de apoio dos fumadores que pretendem deixar de fumar, destinadas aos funcionários e utentes, em todos os centros de saúde e serviços hospitalares públicos, nomeadamente nos serviços de cardiologia, pneumologia, psiquiatria, oncologia e obstetrícia.
Chocolate quente nãaaao!
segunda-feira, 2 de abril de 2007
De quem é a culpa: PSP ou o Clube??

Bem, na minha opinião, colocarem adeptos do clube visitante no anel superior não será a escolha mais acertada ... tal como ontem aconteceu: garrafas, comida, cuspo e tudo mais que havia à mão, pelo AR :/
Mas assim, a PSP de Lisboa afirma: "Vamos tentar alterar a situação para o jogo com o Sporting.Vamos enviar um ofício ao clube explicando que será melhor arranhar outra solução em termos de segurança!"
Ilusão ou Cansaço??
domingo, 1 de abril de 2007
Frase do dia
Amante da poesia de Cesário Verde!

AVE-MARIA
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba:
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma co monótona e londrina.
Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!
Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.
Voltam as calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erros pelos cais a que se atracam botes.
E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!
E o fim de tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hóteis da moda.
Num trem de praça aregam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!
Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, herculeas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!
A dimensão conotativa bastante negativa está bem patente ao longo de todo o poema, associada à "dor humana", sensação de mau-estar, monotonia!
Este espaço citadino que tanto deprime poeta, é o lugar que tanto lhe "desperta um desejo absurdo de sofrer", em que a "dor humana" se projecta.
Se eu continuasse a falar da poesia realista de Cesário Verde, estaria aqui até amanhecer. Como ainda quero ir beber um cafézito, vou ficar-me por aqui, mas com a promessa de voltar a escrever outros poemas e falar muito mais de outros aspectos da sua poesia, que eu tanto adoro!