Quem viu aquelas terras todas cultivadas, sempre com alimentos prontos a levar para casa.... fresquinhos, sãos... Saudades!
Sempre que lá ía adorava ficar a tarde inteira a brincar no meio das hortas, a cantar e a pescar uns peixes cabeçudos que havia lá nos poços. Hoje eu penso - que feios que eram o raio dos peixes! - mas eu adorava. Lembro-me também de ir visitar as ovelhas do meu avô paterno e de ele mostrar-me todo contente os bezerros bebés. Eram o seu tesouro!
Já o meu avô materno tratava de cabras, galinhas, coelhos e antes, também chegava sempre a ter um porco por ano, que matava sempre na altura da festa lá da terra.
Eu quando acordava gostava de ir visitar as cabras e dar-lhes comida. Mas acaba sempre por ficar triste porque elas fugiam de mim :(
Depois quando chegava a altura da festa, o meu avô matava sempre uma cabra e algumas galinhas. Pronto! Lá vinha a confusão! Eu pedia-lhe sempre para não fazer isso e que mais valia irmos comprar ao talho comida para a festa. Assim não seria preciso matar aqueles animais.
Ele ria-se para mim... e ao amanhecer na véspera da festa, já se fazia hora da matança. Bem, eu quando acordava a bicharada já estava morta e ficava um pouco triste. Mas depois passava, claro!
Com tudo isto venho só expor dois grandes pontos:
- o quanto é bom pudermos recordar os nossos momentos de infância vividos junto daqueles que muito amamos;
-tudo na vida é efémero. A vida não passa de uma grande passagem e que com a continuidade, tudo acaba. Hoje já não vejo as terras cultivadas, hoje já não tenho os meus avós paternos junto de mim.
Nunca mais. Nunca mais.
Apenas ficam as recordações.

(Esta fotografia foi retirada da internet por estar apenas relacionada com o tema abordado)